O que fazer quando clonam o seu e-mail
Escrito por Bruno Rodrigues Medeiros
Antes de agir, descubra o caso: conta invadida, remetente falsificado ou endereço parecido com o seu. Se foi invasão, na ordem: troque a senha, encerre todas as sessões, ligue a verificação em duas etapas e apague filtros e encaminhamento automático que você não criou. Depois troque a senha dos serviços ligados a esse e-mail, começando pelo banco.
“E-mail clonado” junta três problemas com soluções diferentes. Separar qual é o seu evita horas de trabalho inútil — e evita a pior situação, que é achar que resolveu com a troca de senha enquanto o invasor continua lendo tudo.
1. Descubra qual é o seu caso
- Conta invadida — alguém entrou. Sinais: senha que parou de funcionar, aviso de acesso de outro país, mensagens na pasta de enviados que não são suas, contatos recebendo pedido de dinheiro no seu nome, alerta de código de verificação que você não pediu.
- Remetente falsificado — ninguém entrou. O golpista só escreveu o seu endereço no campo de remetente. Sinais: você não perdeu o acesso, a pasta de enviados está limpa, e as respostas chegam a você como se fossem de conversas que você nunca começou.
- Endereço parecido — criaram uma conta com uma letra trocada ou outro domínio. Nada aconteceu com a sua, mas os seus contatos precisam saber.
2. Se a conta foi invadida, nesta ordem
- Troque a senha de outro aparelho, e crie uma senha longa e exclusiva desse serviço.
- Vá em Segurança → Seus dispositivos e use sair de todas as sessões. Sem isso, a sessão antiga continua aberta.
- Ative a verificação em duas etapas, de preferência com aplicativo autenticador.
- Abra as configurações de encaminhamento e filtros e apague qualquer regra que você não criou.
- Confira e-mail e telefone de recuperação: o invasor troca esses campos para retomar a conta depois.
- Revise aplicativos e dispositivos com acesso e remova o que não reconhece.
- Olhe enviados, lixeira e arquivados para saber o que foi mandado no seu nome.
- Confira a assinatura e a resposta automática, que às vezes recebem um link.
3. Se é só o remetente falsificado
- Não há invasão e não há o que recuperar: trocar senha não impede a falsificação.
- Avise os contatos, por outro canal, que mensagens no seu nome estão circulando e que você não pede dinheiro nem envia link.
- Marque as mensagens de retorno como spam ou phishing, o que ajuda o provedor a filtrar.
- Não responda e não clique para “cancelar inscrição” nesse tipo de mensagem.
4. Proteja o que está pendurado no e-mail
- Troque a senha dos serviços que usam esse endereço para recuperar acesso: banco, lojas, redes sociais, nuvem.
- Confira extrato e compras dos últimos dias.
- Se houve prejuízo financeiro, avise o banco no mesmo dia e faça boletim de ocorrência.
- Se perdeu o acesso, use apenas o formulário oficial de recuperação do provedor, do aparelho e da rede que você usa sempre.
Perguntas frequentes
Como sei se alguém entrou na minha conta?
Procure a página de atividade ou de segurança do provedor: ela lista acessos recentes, aparelhos e localizações. Acesso que você não reconhece indica invasão.
Trocar a senha resolve?
Só junto com o encerramento de todas as sessões e a limpeza de filtros e encaminhamentos. Senha nova sozinha não expulsa quem já está dentro.
Preciso criar um e-mail novo?
Em geral não. Vale a pena quando você não consegue mais recuperar a conta antiga ou quando ela era usada só para spam.
Dá para descobrir quem foi?
Você não consegue por conta própria. Cabe registrar boletim de ocorrência e pedir a preservação dos registros de acesso; a identificação depende de investigação.
Alguém cobra para recuperar conta. Vale?
Não. Recuperação de conta é feita apenas pelo formulário do próprio provedor, e é gratuita. Quem cobra por isso está aplicando golpe.
Perfil e site que prometem “recuperar e-mail hackeado” mediante Pix são golpe. O provedor é o único que recupera conta, sempre de graça.
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