Como juntar todas as dívidas em uma só
Escrito por Bruno Rodrigues Medeiros
Não existe um botão que junte dívidas: o que existe é trocar várias dívidas caras por uma mais barata. Os caminhos são a portabilidade de crédito para outro banco, um empréstimo de juros menores para quitar cartão e cheque especial, ou renegociar com cada credor. Só vale a pena se o custo total da nova dívida for menor que a soma das antigas — compare o CET, nunca só o tamanho da parcela.
Juntar dívidas não faz o valor devido diminuir. O que muda é o juro que corre sobre ele. Por isso a conta que importa não é “quanto fica a parcela”, e sim quanto você vai pagar do começo ao fim — a parcela cai fácil quando o prazo estica, e o total sobe junto.
1. Levante tudo antes de negociar
- Liste cada dívida com credor, saldo devedor atualizado, taxa de juros ao mês e prazo que falta.
- Peça a cada banco ou loja o saldo para quitação hoje, que costuma ser menor que a soma das parcelas futuras.
- Marque as mais caras. Em geral são o rotativo do cartão e o cheque especial, e são elas que precisam morrer primeiro.
- Consulte o que está negativado no seu CPF pelos canais gratuitos dos birôs de crédito e pelo Registrato, do Banco Central, que mostra as operações de crédito no seu nome.
2. Os caminhos que existem de verdade
- Portabilidade de crédito — você leva um empréstimo ou financiamento para outro banco que ofereça juro menor. O banco novo paga o antigo direto; você não recebe o dinheiro na mão.
- Empréstimo para quitar — tomar um crédito mais barato (consignado, com garantia de imóvel ou veículo) e usar para pagar as dívidas caras no mesmo dia.
- Renegociação com cada credor — não junta em um contrato só, mas costuma trazer o maior desconto, principalmente em dívida antiga já negativada.
3. Como pedir a portabilidade
- Peça ao banco atual, por escrito ou pelo aplicativo, o número do contrato, o saldo devedor e a taxa. Ele é obrigado a entregar.
- Leve esses dados ao banco novo e peça uma proposta de portabilidade, não um empréstimo novo.
- Volte ao banco atual com a proposta. Ele pode cobrir a oferta, e isso resolve sem trocar de instituição.
- Confira se a operação foi liquidada no banco antigo depois de alguns dias. Portabilidade que não quita o contrato original deixa você com duas dívidas.
4. Quando nenhum banco aceita
- Procure os mutirões de renegociação promovidos por Procon, Defensoria e pelos próprios bancos, que costumam trazer desconto grande em dívida vencida.
- Se a dívida está com empresa de cobrança, exija a proposta por escrito e o boleto em nome do credor original ou da empresa que ele indicou.
- Depois de pagar, guarde o comprovante e cobre a baixa do nome: tirar do cadastro é obrigação do credor (Súmula 548 do STJ).
Perguntas frequentes
Juntar as dívidas apaga meu nome do cadastro?
Só quando a dívida negativada é efetivamente quitada. Renegociar sem pagar a primeira parcela não tira o nome.
Posso fazer portabilidade de dívida de cartão?
A portabilidade vale para operações de crédito como empréstimos e financiamentos. A dívida de cartão costuma ser resolvida por parcelamento ou por um empréstimo mais barato que a quite.
O banco pode recusar a portabilidade?
O banco que recebe pode recusar por análise de crédito. O banco de origem não pode impedir a transferência nem cobrar tarifa por ela.
Vale a pena esticar o prazo para caber no orçamento?
Só se você comparar o total a pagar das duas opções. Prazo maior reduz a parcela e quase sempre aumenta o custo final.
Consigo ver todas as dívidas em um lugar só?
O Registrato, do Banco Central, mostra empréstimos e financiamentos no seu CPF. Dívida de loja e conta atrasada aparecem nos birôs de crédito.
Não pague nada antes de ver a proposta por escrito com o Custo Efetivo Total. Empresa que cobra taxa adiantada para “limpar o nome” é golpe conhecido.
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